segunda-feira, 30 de março de 2009

Amores não-declarados

Ela passa o dia a me contar sobre o quanto está apaixonada e ele é incrível. A outra fala que que tem vontade de pegar um avião e encontrar seu amor. Mas na hora de demonstrar todas essas emoções para quem deveria ouvi-las, elas se calam: é o medo. Medo de demonstrar e o cara sair correndo. Medo de se envolver de verdade. Medo de sofrer e de se arrepender. É o hábito de guardar tudo lá dentro, porque assim é mais fácil. O hábito de se proteger. O hábito de se fechar. É o orgulho de não ter que ser a primeira a dizer, a demonstrar e talvez quebrar a cara.
O pior é que a gente se habitua com essa casca de concreto e acaba esquecendo do carinho com aqueles que não há perigo. Outro dia dei a mão ao meu avô. Porque eu não fiz isso antes? Eu não sei, mas sei que foi tão, tão gostoso e ele ficou tão feliz. Em algum momento eu me fechei, e sinto todas as dificuldades do mundo para me abrir. Eu penso nele o dia inteiro, mas na hora de fazer alguma coisa a gente faz? E nesse caso, eu nem consigo achar o motivo pra ser assim, tão cheia de concreto, porque, óbvio, meu avô não vai sair correndo de mim. São as relações com garotos que me deixaram assim? Talvez.
Me acostumei a deixar a expressão impassível, tentando evitar tantos sentimentos que quase pulam da boca o tempo inteiro. E então qualquer coisinha, a gente já acha que disse demais e que toda aquela paixão está explícita. Está mesmo?
Mas daí a gente lembra daquela vez que a gente correspondeu às demonstrações do outro e as coisas deram errado.O pior é que isso pode mesmo acontecer, mas e daí? Porque temos tanto medo de se arriscar? E porque, na maiorida das vezes, quando demonstramos, isso tudo é visto de maneira tão condenável?
Exausta de todos esses jogos que inconscientemente nos submetemos, digo a ela que conte a ele sobre seus sentimentos. Digo isso a mim mesma: Sem ameaças eminentes à vista, porque não ser mais espontânea? O que temos a perder?

7 comentários:

Jéssica Santos disse...

Adorei seu post!!!!!!!!!!!!
vou te escrever mais cobrando hein
bjocas

Ericka Rocha disse...

Má... Sabe que eu andei pensando muito nisso? Sou uma pessoa que se entrega demaaaisss e se magoa com a mesma facilidade que se entrega... Não entendo como possa existir medo de se envolver, só o contato físico já é um envolvimento e eu geralmente morro de amores facilmente...
Mas o que temos a perder? O outro. Muito amor declarado, gera muita expectativa e muito muito muito medo no outro de talvez não te querer... Tanto assim. Perde a graça amar e ser amado logo de cara, daí os jogos. Imbecil...Não é? Mas real!

Muuuitaasss saudades querida!

=D

Anderson Santiago disse...

Eu sou a favor do concreto. Mega a favor. Queria eu ter mais concreto, para sempre ficar protegido, juro. Mas o lance é saber quando sair desse concreto, ou quando fortalecer-se sob ele. A gente, humano, nunca vai saber, nunca...

L&L-Arte de pensar e expressar disse...

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Bianca H. disse...

Olha, Má... já pensei muito nisso: por que a gente tem tanto medo de nos expressarmos?

E então, ontem, eu estava na casa da minha avó assistindo a um programa qualquer no canal japonês e minha tia disse que, como os japoneses vivem nessa sociedade tão opressora, eles são estimulados a se expressarem e, quando o fazem, são aplaudidos e verdadeiramente respeitados.

Pode ser que a pessoa se expresse de uma forma totalmente palhaça ou patética, mas ninguém vai jogar tomates na sua cara para que você se retraia mais.

Para eles, penso eu, o que menos importa é o conteúdo do que a pessoa está falando nesse momento tão íntimo. O que conta mesmo é que ela tomou coragem para se expor, coisa que a gente aqui no Ocidente, terra de libertinagens, o faz com menos frequência.

Não sei... talvez a gente seja muito mais conservador do que gostaríamos de admitir. Talvez o outro lado do mundo, com suas culturas "exóticas" seja mais liberal do que os seus costumes demonstram.

Teca disse...

Li e lembrei do seu post,...

Segundo blog da elle:
"Like love, the most memorable personal style takes shape not only through listening to one’s instincts but also from a little risk taking".

Bjoca

Bebel disse...

Ai Marina, adorei seu post. Pensei que tivesse comentado antes, mas não...

É, eu também acho que sou um pouco a favor da exteriorização dos sentimentos. Eu, na maioria das vezes, sou toda de concreto e descobri que isso muitas vezes não ajuda em muita coisa. Why not take a chance?

Beijos!