Amores não-declarados
Ela passa o dia a me contar sobre o quanto está apaixonada e ele é incrível. A outra fala que que tem vontade de pegar um avião e encontrar seu amor. Mas na hora de demonstrar todas essas emoções para quem deveria ouvi-las, elas se calam: é o medo. Medo de demonstrar e o cara sair correndo. Medo de se envolver de verdade. Medo de sofrer e de se arrepender. É o hábito de guardar tudo lá dentro, porque assim é mais fácil. O hábito de se proteger. O hábito de se fechar. É o orgulho de não ter que ser a primeira a dizer, a demonstrar e talvez quebrar a cara.
O pior é que a gente se habitua com essa casca de concreto e acaba esquecendo do carinho com aqueles que não há perigo. Outro dia dei a mão ao meu avô. Porque eu não fiz isso antes? Eu não sei, mas sei que foi tão, tão gostoso e ele ficou tão feliz. Em algum momento eu me fechei, e sinto todas as dificuldades do mundo para me abrir. Eu penso nele o dia inteiro, mas na hora de fazer alguma coisa a gente faz? E nesse caso, eu nem consigo achar o motivo pra ser assim, tão cheia de concreto, porque, óbvio, meu avô não vai sair correndo de mim. São as relações com garotos que me deixaram assim? Talvez.
Me acostumei a deixar a expressão impassível, tentando evitar tantos sentimentos que quase pulam da boca o tempo inteiro. E então qualquer coisinha, a gente já acha que disse demais e que toda aquela paixão está explícita. Está mesmo?
Mas daí a gente lembra daquela vez que a gente correspondeu às demonstrações do outro e as coisas deram errado.O pior é que isso pode mesmo acontecer, mas e daí? Porque temos tanto medo de se arriscar? E porque, na maiorida das vezes, quando demonstramos, isso tudo é visto de maneira tão condenável?
Exausta de todos esses jogos que inconscientemente nos submetemos, digo a ela que conte a ele sobre seus sentimentos. Digo isso a mim mesma: Sem ameaças eminentes à vista, porque não ser mais espontânea? O que temos a perder?
7 comentários:
Adorei seu post!!!!!!!!!!!!
vou te escrever mais cobrando hein
bjocas
Má... Sabe que eu andei pensando muito nisso? Sou uma pessoa que se entrega demaaaisss e se magoa com a mesma facilidade que se entrega... Não entendo como possa existir medo de se envolver, só o contato físico já é um envolvimento e eu geralmente morro de amores facilmente...
Mas o que temos a perder? O outro. Muito amor declarado, gera muita expectativa e muito muito muito medo no outro de talvez não te querer... Tanto assim. Perde a graça amar e ser amado logo de cara, daí os jogos. Imbecil...Não é? Mas real!
Muuuitaasss saudades querida!
=D
Eu sou a favor do concreto. Mega a favor. Queria eu ter mais concreto, para sempre ficar protegido, juro. Mas o lance é saber quando sair desse concreto, ou quando fortalecer-se sob ele. A gente, humano, nunca vai saber, nunca...
GOSTEI DE SEU BLOG PARABENS QUANDO DER VISITE O MEU WWW.PALAVRASARTEBLABLABLA.BLOGSPOT.COM
Olha, Má... já pensei muito nisso: por que a gente tem tanto medo de nos expressarmos?
E então, ontem, eu estava na casa da minha avó assistindo a um programa qualquer no canal japonês e minha tia disse que, como os japoneses vivem nessa sociedade tão opressora, eles são estimulados a se expressarem e, quando o fazem, são aplaudidos e verdadeiramente respeitados.
Pode ser que a pessoa se expresse de uma forma totalmente palhaça ou patética, mas ninguém vai jogar tomates na sua cara para que você se retraia mais.
Para eles, penso eu, o que menos importa é o conteúdo do que a pessoa está falando nesse momento tão íntimo. O que conta mesmo é que ela tomou coragem para se expor, coisa que a gente aqui no Ocidente, terra de libertinagens, o faz com menos frequência.
Não sei... talvez a gente seja muito mais conservador do que gostaríamos de admitir. Talvez o outro lado do mundo, com suas culturas "exóticas" seja mais liberal do que os seus costumes demonstram.
Li e lembrei do seu post,...
Segundo blog da elle:
"Like love, the most memorable personal style takes shape not only through listening to one’s instincts but also from a little risk taking".
Bjoca
Ai Marina, adorei seu post. Pensei que tivesse comentado antes, mas não...
É, eu também acho que sou um pouco a favor da exteriorização dos sentimentos. Eu, na maioria das vezes, sou toda de concreto e descobri que isso muitas vezes não ajuda em muita coisa. Why not take a chance?
Beijos!
Postar um comentário