O Haiti é aqui
"Que tragédia", ouvi muitos dizerem, enquanto olhavam a primeira página. Mas cinco minutos depois, os assuntos já tinham mudado para o caderno de cultural. Mas comigo dessa vez foi diferente, e o Haiti continuou na minha cabeça.
Não sei bem se foi a Zilda Arns, a missão da Onu, ou a sensação de fim de mundo que costuma me dominar durante castátrofes em sequência. Dessa vez minhas lamentações não bastaram. O que eu ainda estou fazendo aqui? O quê importa que eu não tenho curso de primeiros socorros ou força física? Porque eu ainda não parti?
E porquê, eu e os outros se comovem e locomovem mais quando diz respeito ao Haiti do que São Luís do Paraitinga? Me sinto um tanto claustrófóbica, aqui, tão longe, sem poder ajudar. Me sinto um tanto egoísta por não ter nem feito nada nem por nenhum lugar.
Porque somos tão dominados pelos nossos próprios dramas, a ponto de ficar cegos para o que está acontecendo? Porque somos tão conformistas que, quando vemos um grande problema, nos contentamos em suspirar pela tragédia?
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